Momentos difíceis – Registrar ou não?

O registro de memórias pode conter tudo que quisermos, tudo que sentimos que tem importância, que gostaríamos de relembrar em algum momento ou que sentimos que servirá para nos ajudar de alguma forma, ao escrevermos sobre aquilo.


Quando pensamos em registro de memórias, normalmente vem à cabeça momentos felizes, aniversários, casamentos, viagens, acontecimentos marcantes da nossa vida. Mas o registro de memórias pode e deve ser também sobre pequenas coisas, acontecimentos do dia a dia, momentos, nossa rotina, frases ditas pelos filhos, um dia gostoso em casa etc. E é claro, não precisa também ser só sobre momentos felizes. 


A vida de todos nós é feita de altos e baixos, períodos tranquilos, turbulentos, dificuldades, perdas. Escrever sobre isso pode trazer um grande benefício psicológico. Não somos psicólogas nem temos experiência na área, longe disso, mas como adeptas do registro de memórias há muitos anos, tanto eu como a Selma podemos dizer, por experiência própria, o quanto escrever sobre as tristezas da vida pode nos ajudar, nos deixar mais leves.


Antes de contar como eu faço meus registros, quero dizer que esse texto tem o intuito apenas de dar ideias, dialogar, inspirar, fazer pensar. O registro de memórias é muito pessoal e pode ser feito da maneira que você achar mais legal, que te deixar mais feliz. Não tem certo e errado, ok? :)


Momentos difíceis – Registrar ou não?


Eu tenho duas formas de registro: um diário virtual, que é um arquivo no computador, onde eu apenas escrevo, e um diário real, que é tipo um caderno ou álbum decorado, com fotos e histórias. 


O virtual é um diário pessoal mesmo, só escrito, onde eu falo de tudo que me dá vontade, conto coisas que aconteceram, falo de sentimentos etc. É ali que eu escrevo primeiro, e dali eu tiro os textos que quero colocar no caderno de memórias.


Nem tudo que eu coloco nos relatos pessoais precisa ir para o caderno. Alguns relatos mais detalhados e longos, ideias que eu anoto e sentimentos não tão bons, normalmente ficam só no virtual. Não é que eu nunca registre as tristezas no meu caderno, mas eu gosto que ele seja uma fonte de alegria, que tenha um tom positivista, com histórias gostosas de reler depois e de compartilhar com outras pessoas da família. Mesmo quando eu falo sobre acontecimentos chatos ou momentos mais deprê, é somente o suficiente pra registrar a situação, e sempre num tom otimista, de esperança, ressaltando também as coisas boas que aconteceram no mesmo período. Isso me faz bem.


É claro que é uma escolha pessoal. Sei de pessoas que gostam de registrar tudo, em detalhes, sobre situações tristes. Pra mim é suficiente que esses relatos fiquem guardados em um diário que só eu tenho acesso, ou ainda que escreva sobre eles e no final apague, sem salvar nada (normalmente faço isso quando é um assunto sobre o qual eu preciso apenas desabafar, colocar em palavras, pra serem elaboradas e perder importância. É como se tivesse contado para um terapeuta ou um amigo próximo). Tudo depende do que faz a gente se sentir bem. 


Embora nem sempre eu registre essas histórias no meu diário decorado, o fato é que reler sobre períodos de dificuldade passados e perceber como foram superados me ajuda muito. Na maioria das vezes as coisas que eu mais temia nem chegaram a acontecer, ou as situações que eu imaginava sem solução se desdobraram de formas que eu nunca acharia possível, e foram resolvidas. Sem ter registrado esses fatos, dificilmente eu me lembraria de tudo que senti e de tudo que mudou. Poder reler, comparar e perceber a vida em um cenário mais amplo nos deixa mais leves. Entendemos que às vezes estamos tão envolvidos com uma situação que nos sentimos presos, paralisados, sem saída. Mas quase sempre é a nossa mente, através dos medos e angústias, que cria essa sensação, muito mais do que a situação em si.


Em conclusão, na minha opinião vale a pena sim registrar situações de dificuldade, tristezas, momentos de depressão etc, desde que:

  • seja feito de uma maneira positiva, tentando focar nas soluções e não no reforço do sentimento ruim

  • seja registrado também o quê de bom tem acontecido ao mesmo tempo. Isso é muito importante para que a gente se lembre de que sempre há coisas boas na vida, mesmo nos momentos mais angustiantes.

  • o relato seja relido tempos depois me perguntando como eu posso crescer emocionalmente com a situação vivida. O que mudou? Como as coisas foram resolvidas? Eu me desesperei ou mantive a calma, e como essa reação ajudou (ou não) a resolver a situação?

  • se não me fizer bem ficar relembrando essa situação, manter em um registro privado a que só eu tenha acesso e não vá dar de cara com ela toda vez que folhear meu diário.

Guardar o texto em um envelope é uma boa saída para manter os assuntos difíceis menos expostos.

Se você é como eu e gosta que o seu diário seja mais focado nas coisas alegres, outra alternativa (além de manter em um diário particular) é deixar os textos mais pesados meio escondidinhos lá dentro. Tem várias maneiras legais de fazer isso, que podem inclusive acrescentar charme à decoração do álbum. Uma aba que esconde o texto, uma dobradura na folha, um envelope onde o texto fica guardado dentro etc. Você só pega para ler quando quer intencionalmente “trabalhar” aquele assunto, e de preferência de uma forma positiva e que te faça crescer.

Esses são apenas alguns pontos para refletir e ideias de como lidar com os momentos difíceis no registro de memórias. O mais importante, sempre, é que tanto o ato de registrar quando o de reler depois, te façam bem.

E você, costuma registrar essas situações nos seus diários?

Um grande beijo,

Luciana



2 thoughts on “Momentos difíceis – Registrar ou não?”

  • Oi meninas!
    Sim, já registrei alguns momentos difíceis e as vezes funciona como um desabafo para colocar tudo pra fora e virar a página, já deixei com texto exposto e com texto escondido, afinal, quem vai ler – na maioria das vezes, são pessoas de casa para quem você não tem nada a esconder. Achei o assunto interessante e vou fazer um post no meu blog com esse tema, acho que é válido para todos, afinal, os registros de scrap podem não ser apenas de momentos alegres, pois a vida não é assim, não é mesmo? Beijos!!

    • Oi Pati! Falou tudo, a gente sempre pensa em registrar as coisas boas e alegres, mas falar das coisas difíceis pode ajudar tanto… Claro que cada um se sente de uma forma, mas tanto eu quanto a Sel achamos uma ótima forma de lidar com sentimentos não tão legais. Depois avisa pra gente que vamos querer ler seu post! Obrigada pelo carinho!
      Beijos,
      Sel e Lu

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